Banco de Portugal, o crime e o défice zero

Luís Fazenda

A celeuma em volta do Banco de Portugal tem-se centrado, e bem, numa dura crítica ao fiasco de supervisão sobre o sistema financeiro. Já antes, com Vítor Constâncio como governador do BdP, a supervisão assistiu sem intervenção a tempo às fraudes não detetadas previamente apesar de serem desastrosas do BPN, do BPP, do BCP. Depois, com Carlos Costa no mesmo cargo, fomos surpreendidos com as tragédias do BES, do Banif e do mais que se siga a propósito do Novo Banco. A fatura passada aos contribuintes para devolver estes bancos ao capitalismo, assim é, conta-se numa cifra medonha, comparando com vários anos de pagamento do serviço da dívida pública.

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Žižek apoia Trump, surprise?

Luís Fazenda 

Há muitos anos que venho criticando as opiniões e teorias de Slavoj Žižek. Sempre apreciei a qualidade literária mas assinalei as indicações contraditórias para a luta social, como por exemplo sugerir ao mesmo tempo o pacifismo e a ação violenta de pequenos grupos ativistas, criando vários nós cegos para a perspetiva revolucionária, nomeadamente o desprezo pela democracia, burguesa ou outra qualquer. Continue reading “Žižek apoia Trump, surprise?”

Segurança à brava

Luís Fazenda

A cimeira de Bratislava decide segurança à brava. Uma cimeira de chefes de Estado e de governo, apenas informal, não podendo decidir como Conselho Europeu na falta da Inglaterra que está de Brexit, aparentemente tenta perspetivar o futuro da União sem a Inglaterra e no meio dos problemas oriundos da crise dos refugiados, da crise das dívidas soberanas, da crise da xenofobia e da crise da guerra e dos ataques terroristas. Continue reading “Segurança à brava”

A questão nacional

 Luís Fazenda

Quando ouvi Ana Pontón, do Bloco Nacionalista Galego, dizer num impressivo comício que “o nacionalismo era o antídoto do imperialismo”, pensei que lá estava uma frase que podia ser sonora em Santiago de Compostela e aí juntar para a esquerda, mas não teria sentido em Paris, por exemplo, onde o nacionalismo hoje representa a extrema-direita, sendo a França uma potência militar e detendo uma trágica história de poderio colonial. E se Marine Le Pen, da Frente Nacional, advoga o fim da União Europeia para se separar da Alemanha, não deixa de ser uma aliada do lado mais belicista do imperialismo americano, dos trumps e fascistóides. Continue reading “A questão nacional”