Votar aos 16, porque não?  

Diogo Henriques

Atualmente, no nosso país, com 16 anos podemos casar (com autorização dos pais), ser julgados, começar a trabalhar legalmente, pertencer a sindicatos/movimento sociais, então por que razão não podemos votar aos 16 anos?

Os jovens de hoje têm acesso a um manancial de formação e informação que os torna mais aptos a decidir, ao passo que, anteriormente, os jovens tinha acesso a essa mesma num período de tempo bem mais longo. Hoje em dia, somos jovens mais conscientes, mais informados e mais participativos, porque somos, constantemente, desafiados a envolver-nos em situações totalmente novas, inesperadas e desafiantes. Queremos mudar a sociedade e as suas relações de poder. Sendo assim, pergunta-se: porque razão ficamos de fora do grupo que decide o futuro do país e somos obrigados a deixar para a faixas etárias acima a incumbência de desenhar esse futuro, do país, da Europa e do Mundo, sendo que nós somos a geração do futuro?! Essa é a questão essencial!
Está na altura de levarmos, novamente, este assunto a debate e sobre ele refletirmos. Estamos fartos de fracas apostas nas áreas da juventude.

Está na hora de mudar!  

Tem de haver uma maior aposta na juventude, não só a nível educativo, como também a nível de responsabilidade. O voto é uma responsabilidade e nós, “jovens”, estamos conscientes disso. Há que seguir os exemplos das lutas desencadeadas para obter novas conquistas. O Brasil, Equador, Cuba e Nicarágua são alguns exemplos de países, nos quais os jovens a partir dos 16 anos podem votar. Quanto à Europa, temos como exemplo a Áustria e o exemplo de alguns estados da Alemanha nas eleições autárquicas.

A European Youth Forum foi um dos principais promotores desta luta, pelo voto aos 16 anos, no continente europeu, com destaque para a resolução adotada no Conselho da Europa em junho de 2011. Nesta resolução as principais reivindicações eram a criação de condições para a participação dos jovens na vida cívica e para a investigação da possibilidade de baixar a idade de voto para os 16 anos em todos os países e em todas as eleições. Nesta resolução, conseguiram-se somente 150 assinaturas, o que impossibilitou a passagem à fase seguinte no Conselho da Europa. O medo da direita é o facto de os jovens terem espírito crítico e liberdade para votar, sabendo-se que os jovens têm a inquietude da mudança. Essa apetência constante da juventude pela mudança tem-se acentuado dado à falta de oportunidades com as quais os jovens se deparam, tendo uma única opção, emigrar. Os jovens precisam de dar uma resposta às políticas de austeridade vigentes e o início da decadência evidente do capitalismo. Em Inglaterra, a maioria dos jovens apoiou Corbyn e na França muitos apoiaram Melénchon, porque tinham medidas importantes para os jovens, como por exemplo, o aumento do salário mínimo nacional e a abolição das propinas. Para além do mais, houve um reforço da esquerda nestes dois países como contra-ofensiva às políticas de austeridade vigentes e ao ínicio da decadência evidente do capitalismo. Na América, se o “feeling” dos jovens de apoiar o Bernie Sanders tivesse sido seguido pela estrutura dominante do Partido Democrata, Trump nunca se teria sentado na secretária da sala Oval!

Mas, como é óbvio, os “suspeitos do costume” vêm com a história da carochinha… “um jovem de 16 anos não tem maturidade para votar”. E eu questiono: então porque é que, quando passamos do 9º para o 10º ano, temos de escolher um curso do qual dependerá o nosso futuro, se alegam que não temos maturidade? Algo não bate certo! Há que refletir! Apelo aos jovens à participação e à reflexão porque o futuro é nosso e o direito ao voto aos 16 também!


Imagem: Andra Mihali – Occupy socialism, Brooklyn Bridge, 1 de outubro de 2011Alguns direitos reservados.

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