Vale a pena lutar

Miguel de Magalhães 

Porque vive o pensamento de Marx, 150 anos após a sua morte?

Porque subsiste o ideal socialista, quase 30 anos depois da queda do muro de Berlim, do desmembramento da URSS e dos regimes do “socialismo real”?

Porque continua a palavra “socialismo” a ser sinónimo de esperança apesar dos execráveis regimes chinês e norte-coreano?

Por que é que milhões de jovens estudantes e trabalhadores de todas as idades lutam pela derrota do sistema capitalista após décadas de inúmeras ofensivas neoliberais, conservadores e até, em alguns casos, neofascistas?

Verifica-se que, mesmo nos mais improváveis sítios, a bandeira do socialismo mobiliza e agrega milhões em torno de uma alternativa, sendo tal exemplificado pela campanha de Bernie Sanders, o qual, num país onde “socialismo” era há muito uma palavra maldita e uma ideia proscrita, esteve à porta da conquista dos céus.

O socialismo vive porque os seus pressupostos fundamentais continuam tão válidos hoje como em 1848, ano de todas as revoluções, e no qual Marx e Engels publicaram pela primeira vez o Manifesto do Partido Comunista. E, por muitos que alguns se esforcem em negá-lo, a luta de classes continua a verificar-se.

Quando um precário vê metade do seu salário a ser absorvido por uma empresa de trabalho temporário, ficando a riqueza por si produzida no bolso dos accionistas de uma qualquer empresa do PSI-20 e, quando o pouco que ainda consegue “trazer para casa”, é espoliado pelo senhorio, pelas empresas de energia, pelos grandes retalhistas, pelo banco e por outros tantos rentistas que especulam com o suor de trabalho alheio. Ainda que este precário possa não o saber, é parte integrante da teoria da mais-valia, fundadora do socialismo moderno.

Portanto, urge nos nossos tempos construir uma esquerda socialista, popular e mobilizadora que dispute uma maioria social e política. Que dispute os precários, os pensionistas, os estudantes, os imigrantes e todos os outros que (sobre)vivam dos rendimentos do seu trabalho.

O maior contributo que a esquerda actual pode dar é vencer Trump, Le Pen, Putin e outros tantos reaccionários, que com a sua perversa retórica lançam trabalhadores contra trabalhadores. Urge responder aos desafios actuais, sempre em representação daqueles que têm só as suas correntes a perder e um mundo todo a ganhar.


Carnagenyc – Marx. Alguns direitos reservados.

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