Che Guevara, o revolucionário marxista

Bruno Pacheco

No mês em que se assinala o 49º aniversário da morte de Ernesto Guevara de La Serna[1], recordar esta data não tem como objetivo criar uma espécie de culto da personalidade, mas sim fazer um simples exercício de debate, debruçado numa memória revolucionária e de luta, por quem carrega na sua vida o exemplo e os valores deixados por aquele que, sem dúvida, foi um verdadeiro comunista.

“Espírito inconforme cada vez que surge algo que está mal. Pôr em questão tudo o que não se perceber. Discutir e pedir clareza do que não estiver claro. Declarar a guerra ao formalismo, a todos os tipos de formalismo. Estar sempre aberto para receber as novas experiências, para conformar a grande experiência da humanidade, que leva muitos anos a avançar pela senda do socialismo.”[2]

Foi sempre o primeiro a apresentar espirito de sacrifício em todos os momentos, tanto na ajuda dos companheiros, como nas pequenas tarefas para as quais podia ajudar a melhorar a vida das pessoas, no estudo das crianças, no acompanhamento médico das pequenas aldeias onde se refugiou durante a revolução cubana. Esta era a sua máxima: “estar sempre atento a toda a massa humana que nos rodeia”.

O internacionalismo proletário, causa que sempre defendeu de forma cerrada, permitiu expandir o seu espirito de revolucionário para além dos limites das fronteiras de um território, começando por Cuba, e que tentou expandir para toda a América Latina. Para ele a luta pelo alcance do socialismo a uma escala internacional significaria a irradicação do neocolonialismo, imperialismo, capitalismo e todas as formas de sistemas opressores e injustos.

Num dos discursos enquanto Ministro da Indústria, intitulado de “Estudo, trabalho e o fuzil”, Che resume através destas três palavras os valores de quem tem autoridade de falar como revolucionário.

O estudo para aprofundar cada vez mais os problemas da sociedade e conhecer bem as contradições do sistema capitalista, o trabalho orientando a construção do comunismo e o fuzil para defender e lutar pela revolução.

Che pode ter sido assassinado, mas não assassinaram o exemplo de vida revolucionária e de quem fez do comunismo a bandeira da sua vida.

Sem dúvida a figura de Che Guevara representa o elemento de construção da utopia marxista – utopia não por ser lugar imaginário nos céus da ficção, mas por ser lugar a encontrar na terra com os trabalhos dos revolucionários e dos povos. Essas revoluções são transformações sociais radicais aceleradas, feitas pelas circunstâncias, nem sempre, ou talvez quase nunca, concebidas e previstas cientificamente nos seus pormenores, feitas pelas paixões, pela improvisação de homens e mulheres nas suas reivindicações sociais. A conduta revolucionária é um espelho da convicção revolucionária, pois quem sempre teve uma vida de exemplos de valores revolucionários, morrerá sempre como revolucionário.


Imagem: Lynn Friedman – Che Grafitti Mural. Alguns direitos reservados.

Notas:

[1] Faleceu em La Higuera a 9 de outubro de 1967.

[2] Conferência pronunciada na Unión de Jóvens Comunistas em 20 de outubro de 1962. Ernesto “Che” Guevara – “O que deve ser um jovem comunista”. In Verde Olivo, ano 3, nº 43 (28 de Outubro de 1962) Havana, Cuba. Fragmento publicado em Arquivo Marxista.

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