The Pearl (John Steinbeck, 1947)

 Sara Azul Santos

“The Pearl” de John Steinbeck (autor de “As vinhas da ira” e nobel da literatura em 1962) conta a história de Kino e sua família, Coyotito e Juana. Um pescador pobre tem na sua família um filho bastante doente, sem esperança de cura, dada a falta de poder monetário do casal. A esperança regressa a esta família quando Kino encontra uma pérola gigante e visivelmente poderosa. Com a esperança vem também a inveja e a ambição na pequena comunidade piscatória.

 “A town is a thing like a colonial animal. A town has a nervous system and a head and shoulders and feet. A town is a thing separate from all other towns alike.”[1]

Este romance é uma alegoria sobre a busca de poder numa sociedade demarcadamente capitalista que vê na pérola de Kino uma oportunidade de subida de estatuto enquanto as intenções por parte do pobre pescador são nobres (a busca de uma cura para o eu filho).

A esperança dada pelo surgimento desta pérola a Kino, que vem ao longo do romance, é falsa, já que só despoleta inveja por parte da sociedade que envolve a vida desta família.

 “For it is said that humans are never satisfied, that you give them one thing and they want something more.”[2]

 A finalidade de Steinbeck com este pequeno romance é demonstrar que com o poder inerente a esta pérola e a ambição a ela associada derivam o infortúnio e o azar que pautou o futuro do filho de Kino (o que faz com que este último se desfaça da pérola no final do romance, demonstrando que a sua felicidade não depende do poder monetário e social que esta lhe confere.

É também de notar que o valor desta pérola vai variando consoante as ambições das pessoas que a tentam comprar a Kino bem como a percepção das pessoas perante o mesmo (por exemplo: o médico só atende o filho de Kino quando este tem em sua posse a pérola). Existe portanto uma demonstração de superioridade do rico sobre o mais pobre que se manifesta nesta pequena comunidade. E que se reflecte também na sociedade individualista e capitalista em que vivemos.


Imagem: Capa e páginas do livro.

Notas

[1] A cidade é algo como um animal colonial. A cidade tem um sistema nervoso e uma cabeça e ombros e pés. A cidade é algo separado de todas as outras cidades parecidas.

[2] Diz-se que os humanos nunca estão satisfeitos, que lhes dás uma coisa e querem sempre algo mais.

Anúncios