A luta estudantil de São Paulo

Bruno Góis

A luta estudantil do ensino secundário do Estado de São Paulo (Brasil) tem sido aguerrida, inspiradora e merece a nossa solidariedade internacional. Recorde-se que há poucos meses, no final de 2015, o movimento estudantil do secundário paulista ocupou mais de 200 escolas contra o fecho de 94 escolas e a degradação do ensino. Nessa altura, tal como agora, as e os estudantes foram alvo de repressão pela Polícia Militar a mando do governo estadual (governo da direita PSDB). Essa luta terminou com a demissão do secretário estadual da Educação e a suspenção do plano – uma vitória parcial e temporária[1].

A luta estudantil no Estado de São Paulo continua em força, embora sem a mesma dimensão. Na manhã desta sexta-feira, 6 de maio, as e os estudantes que ocupavam o Centro Paula Souza, área central da cidade de São Paulo, foram expulsos violentamente pela Tropa de Choque da Polícia Militar (PM) de São Paulo. Acresce que a PM proibiu jornalistas e fotógrafos de se aproximarem da escola para não testemunharem a repressão.

O movimento estudantil ocupou a escola em nome das seguintes reivindicações principais: melhorias na merenda escolar e a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a máfia que desvia recursos do lanche no Estado de São Paulo[2]. Tal como nas lutas de final de 2015, estas causas muito concretas e a experiência de luta servirão para elevar a consciência estudantil para outros patamares.

É importante seguirmos os desenvolvimentos destas lutas e prestarmos a nossa solidariedade internacional. Do mesmo modo que é também importante aprender com elas. É um dado objetivo que a maioria das jovens e dos jovens de Portugal, em particular as camadas da classe trabalhadora com menores rendimentos, não vai para o ensino superior. O desenvolvimento de luta estudantil do secundário é um vetor de luta muito importante quer para a melhoria das condições de vida e estudo das e dos “secundaristas” (para usar essa boa expressão brasileira), quer para o despertar de uma consciência de luta mais ampla.


Imagem: foto de Lina Marinelli.

Notas:

[1] Em dezembro escrevi sobre essa matéria: Brasil: ‎OcupaEscola ‪#‎NãoFechemMinhaEscola.

[2] Saber mais aqui: Secundaristas são arrastados pela Tropa de Choque de dentro de escola ocupada.

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