Abrir as portas à cidadania

Vítor Franco

Hoje o comunismo não é a referência para centenas de milhões de pessoas como nos tempos de Lenine, mas, mesmo sem referência ideológica, muitas pessoas começam a perceber que assim é que não dá. E quando não dá procuram alternativas e esperança. É preciso abrir a porta a essas pessoas!

Muitos de nós vivem desesperançados e o caso não é para menos, os jovens não encontram trabalho, os pais vêem os filhos emigrar, as pessoas discutem futebol e banalidades todos os dias da semana…

Para nós, ativistas, há um olhar diferente. Houve uma reviravolta radical na Grécia (após a qual o Syriza claudicou), há esquerdas a crescer em Espanha, na Irlanda, em Portugal… Há pessoas que a pouco e pouco vão surgindo e tomando palavras e ações para melhorar as suas terras, criar alternativas sindicais, renovar criatividades na cidadania, na cultura…

Nem tudo corre bem, persistem dificuldades de mobilização, sectarismos velhos, alheamento geral da massa juvenil, alienações… Formas de organização anquilosadas dificultam abrir novos espaços por onde hão-de entrar novas energias, nova cidadania – mas ela começa a romper. Poderemos ter batido quase no fundo, mas iniciámos o fluxo social.

Poderá considerar-se uma conclusão audaciosa, com muitas premissas por validar; afinal a extrema-direita espalha-se pelo mundo, o fanatismo fascista e religioso ganha terreno, a tragédia dos refugiados é inaudita… Poderá, mas sente-se!

O novo regime capitalista – o financeirizado – que há muito deixou de se um “subtipo” do capitalismo e se tornou no seu determinante, ao ponto de restaurar um neocolonialismo de novo tipo, autoritário até ao limite do insuportável, onde só falta a ameaça armada, exponenciou as contradições de classe a dimensões talvez nunca atingidas. Só que maiores contradições têm como consequência maiores tensões e um grande alargamento da base social de oposição.

Hoje o comunismo não é a referência para centenas de milhões de pessoas como nos tempos de Lenine, mas, mesmo sem referência ideológica, muitas pessoas começam a perceber que assim é que não dá. E quando não dá procuram alternativas e esperança. É preciso abrir a porta a essas pessoas!

Olhemos à nossa volta, com os olhos bem abertos.

Nos sindicatos, nas comissões de trabalhadores, no ativismo social, cultural, desportivo (…), no Bloco, demos voz e abramos as portas à cidadania, à expressão livre, individual ou colectiva, à vontade de mudar e agir.

Os fracos podem persistir em castelos de cartas, avessos ao novo que não controlam. Os fortes juntam forças!

A luz já se vê ao fundo do túnel!

Anúncios