A Arte segundo Marx

Bárbara Veiga

Marx concebeu a Arte como um espaço de criação que permitiria ao artista expressar a universalidade, através de um modo singular. Para Marx, a Arte é uma supraestrutura diferente da ciência ou da religião e, por isso, devia ser exercida livremente.

Marx manifestou interesse pela Arte desde os seus anos de formação universitária. Em 1842, escreveu o “Tratado sobre a Arte Cristã” e dois ensaios, “Sobre a Arte Religiosa” e “Sobre os Românticos”, textos que se perderam e dos quais apenas restam apontamentos preparatórios.
Esteve durante o ano de 1843 exilado em Paris. Embora tenha estado mais dedicado à sua atividade jornalística, retomou o seu estudo e interesse pela Arte no ano seguinte. Em 1844, escreve “Manuscritos económico-filosóficos”, onde, entre outros assuntos, retoma o seu pensamento em torno desta área de estudo.
As reflexões de Marx sobre as questões estéticas sustentam-se, fundamentalmente, em Hegel e Feuerbach, duas influências teóricas contraditórias no contexto da filosofia da Arte.
Hegel rejeita a tese dos naturalistas, que elegiam como ideal estético a imitação da natureza, “o homem não quer ser o que a natureza fez dele”. O naturalismo reduzia o homem a uma contemplação passiva da realidade, sacrificando a sua liberdade e subjetividade. Para Hegel, a Arte deve reunir a liberdade subjetiva do homem e o elemento material passivo oferecido pela natureza. A Arte é uma atividade consciente, dotada de um carater histórico e social.
Feuerbach contestou os princípios estéticos de Hegel, justificando que o pensamento filosófico hegeliano seria dotado de um carater apoético, intolerante, abstrato e alheio aos sentimentos, repetitivo e inimigo do convívio democrático das livres diferenças. Na visão de Feuerbach, a Arte é uma manifestação do ser humano verdadeiro, um ser desalienado, absoluto, que contempla a sua essência, da qual não se dissocia.
Feuerbach argumenta que “o pensamento só fala para o pensamento” mas “a música é um monólogo do sentimento”. Logo, a Arte não pode ser um mero momento racional, visto que os sentidos se emancipam da razão.
Marx concebeu a Arte como um espaço de criação que permitiria ao artista expressar a universalidade, através de um modo singular. Para Marx, a Arte é uma supraestrutura diferente da ciência ou da religião e, por isso, devia ser exercida livremente.
Segundo esta perspetiva, a atividade humana engloba a natureza prática e a intelectual. Os sentidos humanos estão vinculados ao mundo da perceção, assim como aos sentimentos e ao intelecto, dando especial destaque ao olho humano. Segundo Marx, “o olho humano tornou-se um olho humano, no momento em que o seu objeto se transformou em objeto humano, social, criado pelo homem para o homem”.
Marx defendeu ainda uma relação entre a Arte e as classes sociais, na qual as classes emergentes historicamente podem produzir uma arte mais útil do que as que estão em situação de decadência ideológica.


Imagem: Thierry EhrmannAlguns direitos reservados.

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