86,5 é o número da sorte dos banqueiros …

José Castro

Entre 2008 e Setembro de 2014 a Comissão Europeia aprovou apoios do Estado português ao sector bancário  no total de 86,5 mil milhões de euros. Muito mais do que o valor global do chamado PAEF (empréstimo de 76 mil milhões de euros em Maio de 2011) …

São  muitos (e diferentes) os números apresentados sobre o montante das transferências do Orçamento do Estado para os bancos. Mas são todos valores gigantescos. Diz-se que o Tribunal de Contas no Parecer sobre a  Conta Geral do Estado de 2014 apontou 12 mil milhões de euros como o montante dos apoios públicos ao sector financeiro. Mas é preciso ler bem a pág. 205 e juntar as garantias concedidas pelo Estado no valor de 7 mil milhões de euros. Afinal, a conta do Tribunal de Contas fica em 19 mil milhões de euros.

Mas os gastos efectivos do Estado português com a salvação dos bancos não são somente aqueles. A APB (Associação Portuguesa de Bancos) vai mais fundo na análise da “ajuda estatal utilizada pelos bancos portugueses” até 2013. E lá refere num documento de Maio de 2015 que o “apoio estatal ao sector financeiro” em percentagem do PIB chegou a atingir 19%, mais ou menos 32 mil milhões de euros.

É que além das verbas efectivamente utilizadas para recapitalização dos bancos – 9,5 mil milhões de euros – dos 19 mil milhões previstos em diversos Orçamentos do Estado (Leis nºs 63-A/2008, 48/2011 e 4/2012), há que somar as garantias concedidas e utilizadas (mais de 21 mil milhões de euros).

É muito, muito dinheiro. E é este montante descomunal que explica, em grande parte, a gigantesca dívida pública portuguesa. O que aconteceu desde 2008 foi uma transferência brutal de dinheiros públicos para os bancos através de diversos instrumentos: injecções de liquidez, apoio a activos depreciados, recapitalização e garantias. Afinal, os banqueiros são gente com sorte, tiveram umas valentes ajudas dos diversos governos …


Imagem: Clinically Dead – Capitalism kills. Alguns direitos reservados.

 

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