Keep it in the ground

Nelson Peralta

“Se existe petróleo no subsolo, então ele deve ser explorado para que essa riqueza seja colocada ao serviço da classe trabalhadora” – ouvimos nalguns debates à esquerda. Mas essa posição traz benefícios aos trabalhadores?

A sociedade gasta demasiada energia para produzir bens com o objetivo de manter lucros privados e não para suprir necessidades sociais. O descartável, os prazos de garantia reduzidos, a pequena atualização, o transporte individual: são o mantra, mas não servem as necessidades de quem menos tem.

A população mais pobre é a que menos contribui para as alterações climáticas, mas é a que mais sofre com as suas consequências. Portanto, se continuamos a consumir desenfreadamente energia fóssil estamos a agravar as condições de vida da população com menos recursos.

E porque não a mudança? Por que é que não se faz a transição da energia fóssil para energias renováveis? Isso, aliás, criaria milhões de postos de trabalho úteis. Mais, por que é que não se reduz o gasto energético, dirigindo-o para as necessidades? Melhor, por que é que não se aposta na microgeração, colmatando as perdas energéticas do transporte? Simples. Porque os magnatas do petróleo perdiam dinheiro. Porque a redução do consumo energético não é opção para quem quer lucrar. Porque a possibilidade de cada um produzir a sua energia  é contrária aos interesses privados que querem explorar a grande infraestrutura energética.

Uma sociedade socialista não muda apenas a cúpula, transforma a sociedade e as suas relações de consumo e produção. É por isso que a esquerda deve ir à raiz e atacar as relações de exploração dos trabalhadores, que são as mesmas do extrativismo que permite a apropriação privada do planeta: o modo de produção capitalista.

 


Imagem: Kris Krüg – Fort McMurray, Alberta – Operation Arctic Shadow. flickr/cc/with overlay.

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